O padre Vítor torcia o nariz em nome do desagrado pela demora da menina Dores. Às oito horas de todos os dias, a dita governanta, sacudia o sino residente na parede adjacente à sua porta; Acrescida uma hora, impunha-se um silêncio com contornos de tragédia, face ao contexto familiar que coloca o prior no quarto grau de descendência face a D. Manuel dos Paços e à expectada celebração das dez junto à falésia, na vestimenta própria para o efeito, a qual aguardava os bons tratos nos vincos da menina Dores, conforme o ajustado na noite anterior. Mas que raio se passaria com a rapariga, desfazia-se o padre em gesticulações nervosas e rugas prenunciadas como reflexos do seu pensamento. Mau grado o sucedido, exercitou as articulações ao chamar uma vizinha que percorria o caminho da festividade, a qual se prontificou para humildemente acalmar as dores do senhor padre, esticando as suas vestes com grande primor, enquanto calava o respectivo marido que grunhia o atraso como um imposto.
A sombra das vestes tocavam amiúde nas aves desenhadas a contra-sol no caminho universal do dia, o movimento gerado a impulso nervoso e a preocupação, em harmonia, pelo acaso, com o espírito ansioso do padre Vítor. Dominado pelo atraso, furioso com as gaivotas por causa das suas penas no inconsciente, escalava por cima do atraso, procurando chegar em boa hora. O coreto respirava movimento e som, descabelando os transeundes mais sensíveis de ouvido enquanto temperavam o tom. O maestro repreendia vivamente o Mael, quando o Sr. Padre se anunciou com a sua presença. O Mael assim se fez em nome por causa da inaptidão do seu pai para pronunciar os n´s, obrigando a ignorante senhora do registo da desfuncionalidade a confirmar as suas intenções e a respeitar as vontades de quem é homem, por educação. O bandarra de apelido, logo mandou calar o povo com um fadinho de algibeira rota “Solta-se o padre nas ruas… cantam-se hinos de alegria?”, despertando o maestro que desferiu por automatismo um tiro de abertura que arrancou um sonoro prelúdio à fanfarra.
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